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quarta-feira, 15 de abril de 2026

 

TESTAMENTO



À prostituta mais nova


Do bairro mais velho e escuro,

Deixo os meus brincos, lavrados

Em cristal, límpido e puro...



E àquela virgem esquecida

Rapariga sem ternura,

Sonhando algures uma lenda,

Deixo o meu vestido branco,

O meu vestido de noiva,

Todo tecido de renda...



Este meu rosário antigo

Ofereço-o àquele amigo

Que não acredita em Deus...


E os livros, rosários meus

Das contas de outro sofrer,

São para os homens humildes,

Que nunca souberam ler.


Quanto aos meus poemas loucos,

Esses, que são de dor

Sincera e desordenada...



Esses, que são de esperança,

Desesperada mas firme,

Deixo-os a ti, meu amor...


Para que, na paz da hora,

Em que a minha alma venha

Beijar de longe os teus olhos,

Vás por essa noite fora...


Com passos feitos de lua,

Oferecê-los às crianças

Que encontrares em cada rua...


Alda Lara

 


A Verdade Histórica

A minha filha partiu uma tigela

na cozinha.

E eu que me apetecia escrever

sobre o evento,

tive que pôr de lado inspiração e lápis,

pegar numa vassoura e varrer

a cozinha.


A cozinha varrida de tigela

ficou diferente da cozinha

de tigela intacta:

local propício a escavação e estudo,

curto mapa arqueológico

num futuro remoto.


Uma tigela de louça branca

com flores,

restos de cereais tratados

em embalagem estanque

espalhados pelo chão.


Não eram grãos de trigo de Pompeia,

mas eram respeitosos cereais

de qualquer forma.

E a tigela, mesmo não sendo da dinastia Ming,

mas das Caldas,

daqui a cinco ou dez mil anos

devia ter estatuto admirativo.


Mas a hecatombe

deu-se.

E escorregada de pequeninas mãos,

ficou esquecida de famas e proveitos,

varrida de vassouras e memorias.


Por mísero e cruel balde de lixo

azul

em plástico moderno

(indestrutível)


Ana Luísa Amaral

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Semana 1- Lema da Semana- "Pelo Sonho é que Vamos"

 

Vida Sebastião da Gama (clica no nome)


Pelo sonho é que vamos,

Comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não frutos,

Pelo Sonho é que vamos.


Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo

Que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

Com a mesma alegria,

Ao que desconhecemos

E ao que é do dia-a-dia.


Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Os Cinco Impérios

 



 1. Império Grego (sintetizando todos os conhecimentos, toda a experiência dos antigos impérios pré-culturais); 


2. o Império Romano (sintetizando toda a experiência e cultura gregas e fundindo em seu âmbito todos os povos formadores, já ou depois, da nossa civilização);

3.  o Império Cristão (fundindo a extensão do Império Romano com a cultura do Império Grego, e agregando-lhe elementos de toda a ordem oriental, entre os quais o elemento hebraico);


 4.  o Império Inglês (distribuindo por toda a terra os resultados dos outros três impérios, e sendo assim o primeiro de uma nova espécie de síntese — fundindo a cultura grega, em nenhum lugar tão marcada como em Inglaterra, pois que Milton é o mais grego dos poetas modernos (quote M. Arnold) — a extensão e imperium dos romanos, a moral cristã, em parte alguma tão ativa como nos países de língua inglesa, onde é máxima a atividade cristã, como se vê pelas seitas numerosíssimas que revelam essa especulação constante)... 

5. O Quinto Império, que necessariamente fundirá esses quatro impérios com tudo quanto esteja fora deles, formando pois o primeiro império verdadeiramente mundial, ou universal.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Ode

 O que é uma Ode?


 A Ode é uma composição poética do género lírico que se divide em estrofes simétricas. (mesma medida).

O termo tem origem no grego “odés” que significa “canto”. 

Na Grécia Antiga, "ode" era um poema sobre algo sublime ou elevado, de caráter laudativo (louvor) composto para ser cantado individualmente ou em coro, e com acompanhamento musical.

Um exemplo de ode são os hinos nacionais dos países, em que os autores fazem uma homenagem à Pátria e aos seus símbolos e são acompanhados por instrumentos musicais.